Os animais não são mobília, nem objetos descartáveis. Os animais não se podem deitar fora quando já não precisamos deles, ou quando nos estão a incomodar. Todo o ambiente que rodeia um animal afeta-o emocionalmente (e fisicamente em caso de maus-tratos), pelo que é preciso ter um enorme cuidado, respeito e consideração por eles. Não comparamos animais a pessoas, mas o que dói a ti, dói a eles, e isto aplica-se a um pontapé, a um sentimento tão triste como a solidão ou à agonia da fome sem ter o que comer.
Ano após ano, o número de animais abandonados em Portugal cresce de forma descontrolada, com especial incidência nos meses de Verão. Os animais são vistos como um problema quando as famílias planeiam as suas férias, por falta de preparação e também de informação. Os canis estão constantemente sobre-lotados, sendo que a esmagadora maioria dos animais que neles são recolhidos, acabam eutanasiados alguns dias depois. Morrem.
Embora nem só as férias sirvam de pretexto para abandonar um animal, toda esta situação traumática e muitas vezes fatal para os animais, pode ser evitada com um pouco de consciencialização e planeamento.
Antes de comprar ou adotar
Cada pessoa deve colocar em cima da mesa, com a sua família, todos os cenários possíveis. Por exemplo as questões financeiras, uma vez que estamos em época de crise. Cães e gatos necessitam de alimentação diária, cuidados veterinários básicos como a vacinação e desparasitação, já não contando problemas de saúde ou acidentes, cujos tratamentos são por norma dispendiosos. É importante avaliar a estabilidade financeira e o impacto no orçamento que um animal pode ter.
As férias também devem merecer especial atenção. Não se deve deixar esse assunto para um “depois vê-se”, pois geralmente acaba com o animal na rua. Se o teu animal vai ser um fardo quando quiseres fazer as férias, a atitude mais sensata é não o comprar nem adotar. Se queres mesmo ter um animal, pensa atempadamente num plano para deixar o animal em boas mãos, ou, porque não, levá-lo contigo.
Convém relembrar que, no caso de um cão, e exceto se for de porte pequeno… vai crescer. Em alguns casos, vai crescer muito e tornar-se num animal grande e imponente, totalmente incompatível com um apartamento, por exemplo. Muitas vezes são comprados e adotados animais bebés que, ao chegarem a adultos, são abandonados por serem “grandes demais”…
Ter um animal não é um direito, mas sim um luxo, que exige disponibilidade financeira, tempo livre, trabalho, preocupações e muita, muita responsabilidade. É um ser vivo que tem direitos constituídos, que tem sentimentos, que se afeiçoa aos seus donos, mas são também seres irracionais, que não compreendem o porquê de serem felizes durante alguns meses e depois serem colocados na rua, sem condições, sozinhos e praticamente condenados. Ninguém deve comprar ou adotar um animal, caso não tenha condições para ficar com ele e dar-lhe os cuidados básicos, até ao fim da sua longevidade natural. E se pretendes ajudar os animais abandonados mas não tens condições para ficar com eles definitivamente, torna-te voluntário numa associação ou oferece-te como FAT (Família de Acolhimento Temporário).
A responsabilidade e a noção do que se pode ter ou não ter, é muito importante em toda a nossa vida.
Carlos Gandra
www.mundodosanimais.pt

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